“Será a tecnologia educativa a saída para a crise da educação e do currículo?”,”De que forma a tecnologia educativa responde, ou não, aos problemas de fundo da escolarização pública, em Portugal?”
Para responder a estas questões o autor apoia-se em quatro convenções: as políticas neo-liberais, o ensino doméstico, a relevância dos conteúdos curriculares, e por fim, a “outra concepção de escola”.
O autor pretende analisar quais foram as consequências deste bloco hegemónico ao nível das políticas sociais, nomeadamente a escola. As políticas de carácter neoliberais (anos 70/80), tentam reformular ou dar novo sentido a valores como a justiça social e liberdade, dando lugar ao mercantilismo. Assumem portanto novas concepções, novas identidades tendo um carácter mutante. As instituições escolares passam a ser vista como “eficiência, produtividade e o conhecimento como uma mercadoria”.
Surge nos E.U.A (anos 90), uma nova corrente de ensino, as Charter School (escolas cooperativas) onde se promovia o desenvolvimento igualitário tanto a nível de oportunidades, como de direitos. A nível profissional pretendia desenvolver nos professores iguais oportunidades de trabalho e de progressão na carreira.
Neste período, emerge o reviver do Homeschooling (ensino em casa), pressupõe uma mudança face à escola. Esta concepção defende que os pais podem não estar preparados para enfrentar, e desenvolver a mudança necessária. Questiona-se, até que ponto será proporcionado o desenvolvimento das capacidades sociais, físicas e cognitivas da criança? Por outro lado, uma das vantagens é que a casa é um lugar onde a criança se sente segura, onde se podem proporcionar uma aprendizagem contextualizada.
Segundo Holt, pressupõe-se um unschooling, na medida em que a escola cortava a liberdade, e a natureza da criança. Segundo Pareskeva,“ O essencial deste género de aprendizagem é que ela se torna significativa para a criança.”
Realça-se o lado oposto da moeda, até que ponto será este processo vantajoso? A criança aprende ao seu ritmo, no entanto, pode tornar-se arriscado, a família orientar a sua aprendizagem, de acordo com princípios e valores que se regem. Consequentemente a criança perde a socialização inerente ao “mundo escolar”, a interacção com o outro.
Se o homeschooling surge também numa perspectiva de lutar contra as desigualdades provocadas pelo sistema de ensino, devemos ter em conta, que ao colocarmos os materiais acessíveis on-line estes poderão não ser trabalhados ou aproveitados do melhor modo.
Evidencia-se a relutância, a persistência e a emergência em formar pessoas capazes de processar, transformar e recolher informação de forma correcta. A relação professor - aluno que tanto é discutida nos dias de hoje, até que ponto será essa relação prejudicial? É unânime que a orientação de um professor num currículo formal é determinante, bem como, o fomento para a descoberta. Porém, poderão desencadear-se ainda mais desigualdades a todos os níveis.
Na era da globalização, em que é inquestionável o poder educativo das TICE, mas em que se sabe também que esse potencial depende do modo como professores e alunos as inserem no processo didáctico, parece importante lembrar que a tecnologia só faz sentido se usada com intencionalidade, ou seja, se correctamente integrada na concepção e desenvolvimento de todo um projecto curricular.
Fonte:Paraskeva, J. (2006). Se a Tecnologia Educativa é a Resposta qual é a Perguta? in Paraskeva, J. & Oliveira, L. (org.), (2006). Currículo e Tecnologia Educativa. Lisboa: Edições Pedago, Lda, Cap.3: pp – 67/65






